Quem Somos?
O INIPAT é o instituto público responsável pelas atividades de investigação e prevenção de acidentes de transportes do Estado Angolano.
As investigações são embasadas na legislação de segurança operacional dos transportes do Estado Angolano e nas normas e práticas recomendadas pelas organizações internacionais dos transportes aéreos, marítimos e ferroviários sobre a matéria de segurança operacional dos transportes.
Atividades Técnicas
É da análise técnico-científica do acidente ou incidente de transporte que se retiram valiosos ensinamentos. Esse aprendizado, transformado em linguagem apropriada, é traduzido em recomendações de segurança específicas e objetivas para os factos analisados, acarretando ao seu destinatário (proprietário, operador de equipamento, fabricante, piloto, marinheiro, maquinista, motorista, oficina, órgão governamental, entidade civil, etc.) o cumprimento de acção ou medida que possibilite o aumento dos níveis de segurança operacional.
Recomendação de Segurança Operacional (RSO)
A RSO é uma acção ou conjunto de acções, dirigidas a determinado órgão ou entidade e referente à circunstância específica, formulada e emitida com o objectivo de eliminar ou controlar determinada situação de risco para a segurança de passageiros, carga, tripulantes.
Gravadores de Voo
Tecnologia de Investigação Aeronáutica
1. O que são Gravadores de Voo?
Nos processos de validação das hipóteses sobre a determinação dos factores contribuintes e consequentemente das causas envolvidas, visando prevenir os acidentes de transportes, o INIPAT conta com importantes ferramentas de registo e armazenamento de dados denominadas por gravadores de voo, tradicionalmente conhecidas por **“Caixas Pretas”**.
Os gravadores de voo são dispositivos que registam, de forma contínua durante o voo, os parâmetros de voo em formato de áudio e dados. São registos feitos em módulos de registos apropriados, protegidos e projectados para serem usados como ferramentas de apoio aos processos de investigação de ocorrências aeronáuticas. Os gravadores de voo são protegidos por envólucros de **cor de laranja**, por ser uma coloração mais fácil de ser localizada.
Nota Técnica: A parte mais importante do gravador de voo, fabricada para suportar os requisitos de resistência e protecção dos módulos de gravação, é chamada de unidade de sobrevivência da memória ao impacto (**CSMU - Crash Survivable Memory Unit**). Os modelos mais modernos são feitos de liga de titânio e sílica como isolante térmico.
2. Como surgiram os Gravadores de Voo?
Concebidas, em 1953, pelo cientista **David Warren**, do Laboratório de Pesquisa Aeronáutica da Austrália, a caixa-preta representou o avanço na elucidação de acidentes, uma vez que até então a investigação se restringia à análise dos escombros/destroços que restavam do aparelho.
Warren percebeu que os pilotos certamente se debatiam com os problemas enfrentados antes de um desastre e esse diálogo poderia ser crucial na reconstrução dos factos. O cientista idealizou o sistema que gravasse a comunicação na cabine dos pilotos. A ideia surgiu após o estudo da primeira queda de avião comercial de passageiros no mundo, o **Comet**, em 1953. Foi no final dos anos 60 que se tornou essencial em rotas comerciais. Desde então, as indústrias marítima e ferroviária também passaram a desenvolver equipamentos semelhantes.
3. Tipos de Gravadores de Voo
Os Dispositivos de gravadores de voo são, normalmente compostos por dois (2) módulos, nomeadamente, o “Gravador de Voz de Cabine” e o “Gravador de Dados de Voo”. Entretanto, também a indústria aeronáutica disponibiliza gravadores de voo combinados.
(a) Gravador de Voz de Cabine (CVR)
Dispositivo usado para gravar os sons das comunicações feitas no cockpit da aeronave (canais de tráfego, co-piloto, cabine de passageiros e ambiente). Projetado para resistir às diversas condições de acidentes aeronáuticos.
(b) Gravador de Dados de Voo (FDR)
Equipamento com a função de gravar dados dos diversos sistemas das aeronaves, incluindo parâmetros dos motores durante o voo, também projetado para alta resistência.
(c) Gravadores de Voo Combinados (CVDR)
Junção do CVR com o FDR num único dispositivo. Capaz de armazenar duas horas de áudio em alta qualidade e no mínimo 25 horas para os dados de voo.
